| 05/07/2010 |
| O corpo, muito mais que uma “casa” |
| Luciana R. de Oliveira |
| |
Nosso corpo, desde que nascemos, tem um papel importantíssimo. É por ele e nele que nos comunicamos. Isso se percebe claramente quando nos recordamos de nossa infância ou observamos alguma criança. Ela é, indubitavelmente, aquilo que seu corpo manda: chora se sente fome ou algum desconforto; pula se está alegre; grita se tem vontade etc.
Depois, quando crescemos, buscamos racionalizar nossas ações e tentamos esconder o que o nosso corpo quer falar, mas muitas vezes ele continua falando à nossa revelia. Por exemplo, às vezes estamos cansados, então nossos amigos nos perguntam: “O que houve com você?” E nós dizemos que não há nada errado. Mas eles logo – porque nos amam e se preocupam conosco – replicam: “Pois parece que algo não está bem, você parece cansada”. Não queremos admitir, mas nosso corpo nos “entrega”.
No curso da história, muita coisa se pensou e falou acerca do corpo. Ele foi muitas vezes cultuado – lembra de quando estudamos a história da Grécia, que em Esparta se praticava esportes, muita ginástica para preparar os homens para a guerra? Ao ponto de um portador de necessidades especiais, como o cego ou o paraplégico, não ter direito a sobreviver
Mas o corpo é tão importante quanto a alma, se não fosse assim, não haveria ressurreição da carne, ficaríamos na vida eterna apenas como espírito – “A ressurreição da carne significa que após a morte não haverá somente a vida da alma imortal, mas que mesmo os nossos corpos mortais (Rm 8,11).
O Catecismo da Igreja Católica ensina que “a pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual. Portanto, o homem em sua totalidade é querido por Deus” Ou seja, não é possível separar a alma do corpo, cuidando de um e descuidando do outro; mas, porque ambos são igualmente queridos por Deus, é preciso serem igualmente queridos por nós. É preciso – como se cuida da alma rezando, participando dos sacramentos, tendo relacionamentos saudáveis, lendo bons livros, ouvindo músicas agradáveis, apreciando obras de arte... – cuidar do corpo, alimentando-se bem, fazendo exercícios, vestindo-se adequadamente e tendo uma concepção cristã acerca dele.
A sociedade em que vivemos – comercial, consumista e descartável – mostra o corpo como uma espécie de reservatório de desejos que devem ser satisfeitos. Essa cultura instrumentaliza o corpo e o idolatra. Quantos de nós fomos sufocados pela “necessidade” de emagrecer ou de “criar músculos” para ser aceitos como belos? E isso não apenas pelos outros, mas por nós mesmos; porque nos disseram – sobretudo os meios de comunicação – que para ser considerada bonita a pessoa deve ser magra, ter um corpinho “sarado” e bronzeado.
Sobretudo na adolescência – quando são produzidas importantes mudanças corporais, o que requer uma reelaboração do esquema corporal por parte do adolescente – percebemos um corpo cheio de potencialidades e, ainda sem muita maturidade para discernir o uso delas, muitas vezes nos deixamos levar pela mentalidade do mundo, que diz que aquilo que se vive no corpo não afeta o psicológico ou o espiritual. Entretanto, como vimos no ensinamento da Igreja, somos um conjunto: as experiências espirituais são vividas no corpo, na matéria, e a matéria leva o que vive para o campo subjetivo.
É importante dizer que o homem – obra-prima de Deus – é o único ser capaz de dar sentido aos seus atos. Isso quer dizer que pode elevar às alturas suas atitudes, através das escolhas que faz, ou deixá-las no campo mais rasteiro, quando opta pelos prazeres imediatos e ilícitos. O desafio de fazer bom uso do nosso corpo e do corpo dos outros é uma realidade concreta; mas viver de maneira ordenada traz paz e felicidade. Porque, certamente, Deus aposta em nós! |
|
| |
|